Psicanálise, Terapia e Constelação Familiar – Constelação Familiar Sistêmica

Psicanálise, Terapia e Constelação Familiar

As repetições

Morreu, nesta segunda-feira, Getúlio Dornelles Vargas Neto, neto do ex-presidente Getúlio Vargas, aos 61 anos. 

O corpo do advogado, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi encontrado em seu apartamento, no bairro Moinhos do Vento, região nobre da capital gaúcha. 

A Polícia Civil afirma que Dornelles cometeu suicídio. 

Ele repetiu o gesto do pai, Maneco Vargas, e do avô Getúlio Vargas, ex-presidente da República, que se mataram com um tiro no peito. 

(Fonte): Jornal O Globo 7/07/2017 – 18:14 / Atualizado em 18/07/2017 

O Globo: https://tinyurl.com/yxbch8f6


Casos assim mostram muito bem a “lógica inconsciente” das Constelações Familiares. 

Imitamos padrões dos nossos antepassados mesmo que isso nos faça mal. 

Repetimos doenças por amor. 

Copiamos traumas, geração após geração. 

De novo, volto a dizer, mesmo que isso nos prejudique, a gente vai lá e insiste no gesto.

É por amor que nos comportamos assim, mas é um amor-cego, como define Bert Hellinger.

Essa é a sua tese:

É um desejo profundo de PERTENCER ao clã que nos deu vida

Por ele morremos como um soldado leal, ou um mártir fiel

 

 

 

Que piegas!

– Ai, Isabela, que preguiça de ler coisas assim ”morremos com um soldado leal”. Quanta pieguice. 

Se você reagiu assim preciso dizer que concordo muito com você e confesso que escrevi nesse formato para provocar certo asco mesmo.

É interessante, pois tem gente que adora ouvir sobre lealdade e fidelidade, outros nem tanto. Mas sigamos.

Escolhi essa estrutura sobre ”lealdade e fidelidade” porque elas são arcaicas.

É esse arcaico que age em nós, ainda – queiramos ou não.

Esses valores de grupo são muito fortes em nós-sapiens.

O desejo de pertencer é uma realidade.

 

O coletivo tem força

Vários experimentos sociais mostram como somos frágeis, influenciáveis e pouco singulares.

Seguimos a maioria, por ser mais seguro.

Um exemplo bobo.

Se você vir duas pizzarias vizinhas, sendo que uma delas está lotada e a outra sem nenhum cliente isso pode influenciar – e muito – a sua decisão pela pizzaria cheia, mesmo que você tenha que esperar mais pela comida.

O cérebro decide, a alma decide:

Deve haver algo estranho na pizza da loja mais vazia

 

Outro exemplo

Se você vai à uma palestra motivacional onde todo mundo se abraça, dança, bate palma de 1 em 1 minuto e faz ”uhuuu, yeah, vamos conseguir”, provavelmente você não terá muito êxito se ficar parado, reflexivo e negar os abraços empolgantes do restante do grupo.

A verdade é que a gente fica sem graça em ser diferente e literalmente ”entra na dança”.

Não é fácil bancar a singularidade.

Essa é a força do pertencimento agindo em nós.

 

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É importante ”fazer parte”

Voltando ao caso do suicídio do neto de Getúlio Vargas e cruzando essas informações que estou trazendo aqui, não fica difícil de percebermos como age nossa alma e em que encruzilhada estamos metidos. 

Ser-singular ou não-ser-singular, eis a questão!

Sair do grupo ou ficar no grupo?

Quebrar padrões ou repeti-los?

 

É claro que racionalmente a gente responde rápido: sair dos padrões, óbvio!

Mas, manejar isso tudo no dia-a-dia é o que poderá nos fazer mais bem sucedidos nesse quesito, ou não.

Até porque muitas dessas decisões de repetir-ou-não são inconscientes.

 

Como fazer?

Eu voltaria à 1914 e a Freud aqui nesse ponto: recordar, repetir, elaborar.

Geração após geração, nosso clã repete algumas coisas e transmuda outras.

Buscamos fazer diferente, dentro do que nos é possível.

Por vezes dá certo, por vezes ainda não.

Mas, se começarmos a recordar em um nível mais consciente, repetir em um nível mais consciente e elaborar em um nível mais consciente, parece-me que as chances aumentam um bocado em relação às repetições anteriores.

Pelo menos já é um repetir em outro-nível.

Há movimento.

 

Freud, Lacan e Bert Hellinger

É um pouco disso que propõe a Constelação Familiar, num formato um tanto diverso da psicologia e da psicanálise.

Na psicologia e na psicanálise o ”recordar, repetir e elaborar” se dá dentro do espaço clínico e junto do analista, mediante a palavra, a expressão (a fala).

Já na Constelação Familiar, esse ”recordar, repetir e elaborar” se dá em um curto momento dentro do que chamamos de campo. O restante do trabalho acontece fora da clínica, sem a presença de um facilitador e mediante o silêncio, a ação e as descobertas do cliente.

 

Jeito certo, jeito errado

Não saberia dizer se há um jeito mais certo que o outro, mas penso que não.

Um critério razoável é a gente ir percebendo o que funciona e o que não funciona.

A psicanálise já tem seus 120 anos e é apoiada na fala como viabilizadora para a ”cura” ou o manejo do que é chamado de sintoma.

Já a Constelação Familiar está dando seus primeiros passos na história da humanidade, tem cerca de 1/3 da caminhada da psicanálise e vamos precisar de mais tempo para compreender se a sua contribuição é consistente e como pode ajudar no alívio do sofrimento humano.

O tempo é o melhor cartório

O tempo e as transformações na vida das pessoas

 

Qual o seu estilo?

Penso que cada qual vai precisar saber seu estilo na hora de buscar uma ou outra abordagem. 

Se você sente que seu momento de vida exige um apoio mais de perto e recorrente, então está claro que precisará de um psicólogo ou psicanalista.

Mas, se você compreende que só precisa de um impulso inicial no entendimento de seus padrões e emaranhados; se você deseja olhar sistemicamente para sua família e identificar aí o que ainda não está muito claro ou totalmente às cegas pra você; se você suporta essa breve olhadela e depois consegue fazer repercurtir isso tudo de forma mais introspectiva e sem acompanhamento externo (de um facilitador), então a Constelação Familiar pode lhe cair bem.

 

Um ou outro?

E, obviamente, não precisamos ficar aqui, binariamente, entre a cruz e a caldeirinha.

Exatamente por serem coisas distintas, pode-se muito bem conjugar os dois trabalhos, considerando que um não substitui o outro e que um não exclui ou o outro, de forma alguma.

O que vale mesmo é a coragem de se experimentar e de crescer.

Digo isso porque em algum tempo, em se tratando de terapia, a autonomia precisará se fazer presente.

Esse é um bom resultado – seja em qualquer tipo de abordagem que lida com a ajuda.

No final das contas ficar em suas mãos é a melhor opção.

A caminho, há caminho


Isabela Couto | Psicanálise | Constelação Familiar | Atendimento Online & Cursos

3 comentários em “Psicanálise, Terapia e Constelação Familiar”

  1. Muito bom Isabela. Sou psicanalista e consteladora também,e as vezes as pessoas agem como se as duas coisas fossem incompatíveis,e na verdade como vc disse so muda a forma de olhar,e podem ser conplementares tb em alguns casos pq não?cx

    • Oi Mayra…

      – para o profissional:
      acho incompatível mesmo (na prática clínica). Foi o que trouxe. São diversas… ao meu ver.

      – para o cliente, ai sim complementar. Em momentos diversos e separados, contudo. Os settings são opostos.

      Mas, posso estar errada 🤔

  2. Isabela!!!!
    Sensacional esse texto! Obgd
    Estou em terapia psicanalítica e estamos conversando sobre esse tema!
    Foi de grande contribuição! 🙏🌹

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