O terceiro hóspede – Constelação Familiar Sistêmica

O terceiro hóspede

 

A Constelação Familiar

A Constelação Familiar originalmente vem de Thea Schonfelder e de Virgínia Satir.

Esses dois nomes representam o movimento original dessa abordagem.

Já a Constelação Familiar segundo Bert Hellinger (que é uma evolução natural da original) advém de seus múltiplos aprendizados enquanto experimentou os vários tipos de trabalhos terapêuticos (incluindo o sistêmico).

 

Os movimentos posteriores

Depois de algum tempo trabalhando com a Constelação Familiar, Bert Hellinger descobriu o que ele mesmo chamou de movimentos da alma.

E depois de mais outro tempo ele nos revelou os movimentos do espírito.

Todas essas descobertas foram fruto de uma longa caminhada e muitos atendimentos.

Acredito que Hellinger tenha levado uns 40 anos ou mais para alcançar as percepções que teve e das quais hoje desfrutamos.

 

Por quê sofremos?

Hoje aqui vou falar de um ponto nevrálgico e indispensável para se compreender o porque somos tão conflituados na vida.

Por que sofremos tanto, afinal de contas?

 

Somos sapiens, um bicho-social

Desde tempos muito remotos, nós sapiens, entendemos que viver em grupo é mais seguro e nos ajuda na sobrevivência e perpetuação da espécie.

Isso está muito enraizado em nossa inconsciência mais primitiva.

Pertencer é de fato um salva-vidas, um valor caro à espécie.

Contudo, ao mesmo tempo que somos muitos, somos um.

O sujeito quer ser livre. Outro valor também importante, mas dessa vez estimado pelo indivíduo.

E agora José? Exclamaria o poeta Drummond.

Espécie ou indivíduo? A quem servir? Eis a questão!

Hóspede 1: Consciência Arcaica

A consciência arcaica é como um hóspede que mora dentro de nós e que curte o antigo, o grupo, os relacionamentos e o hábito.

Viver dentro do habitual e cercado pelo grupo, oferece alguma sensação de segurança à nossa alma.

Assemelha-se ao que conhecemos como ”zona de conforto”.

Por isso é tão difícil empreendermos mudanças significativas na nossa biografia.

Tendemos a repetir, inconscientemente.

Almejamos o novo, mas tendemos a repetir.

 

Prisão?

Na prática isso quer dizer o que?

Que vamos sempre repetir, repetir e repetir velhas maneiras de ser e de se fazer coisas em troca de nos mantermos assegurados?

Isso não é determinismo, covardia, acomodação?

Isso não impede que eu evolua e construa novidades?

Isso não me dificulta a criar um mundo novo?

 

Hóspede 2: Consciência Pessoal

Essas perguntas acima são muito pertinentes é tem autoria clara.

Quem faz essa chuva de perguntas é nossa outra inquilina: a consciência pessoal.

Essa parte de nossa alma adora planejar novos rumos, empreender descobertas, quebrar padrões, avançar para além do conhecido. Ela é bem impetuosa. 

Essa consciência pessoal é apressada, afoita, geralmente imatura e por vezes mete os pés pelas mãos de tanta vontade que tem pelo novo.

Essa consciência pessoal é uma desbravadora típica.

 

Danou-se

Opa, Isabela. Então, danou-se.

Há uma polarização aí!

A consciência arcaica é ligadona no grupo e no antigo e a consciência pessoal só faz apostas no que é inédito e contemporâneo.

Como lidar com esses dois moradores de nossa alma: retaguarda e vanguarda?

Como será essa reunião de condomínio com moradores de perfil tão opostos assim?

 

Chama o síndico

É claro que há um jeito de sair do modo repeteco que a consciência arcaica ama.

É claro, também, que o passado pode ser útil e guardião de muita sabedoria.

É óbvio que, para além do primitivo, podemos flertar com o futuro.

Caso contrário nunca haveria transformação no mundo, certo?

Somos grupo, mas somos indivíduos também.

Somos passado, mas também visionários, sonhadores, idealizadores.

 

Minimizando danos

Não há como cultivar hábitos milenares de segunda à sexta-feira, 24h por dia, por anos a fio.

É compreensível que tudo deva ser incluído e que precisamos, apenas, achar um jeito de nos valermos dessas duas forças em benefício próprio e do grupo.

Há, por isso, lugar para o velho e para o novo nesse edifício de consciências antagônicas, mas harmonizáveis (se nos esforçarmos para tanto).

Assim, conjugando essas duas vontades inconscientes, o sofrimento da alma humana tende a se diluir cada vez mais – não porque é exterminado, mas porque aprendemos a lidar e a conviver com essa realidade humana posta e imposta.

 

Quem é o síndico, afinal?

Afim de apaziguar essas duas oposições a gente convoca uma outra consciência.

Um terceiro ponto, uma terceira margem, um terceiro espaço e ponto de referência.

É o famoso, nem oito, nem oitenta. 

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.

Nem só consciência arcaica, nem só consciência pessoal.

A Constelação Familiar nos traz exatamente o ponto de ajuste, o síndico, o regulador.

A Constelação Familiar nos faz partejar a consciência de solução – e essa consciência é uma mediadora por excelência.

A Constelação Familiar nos faz, então, dar a luz.

A gente não chama o síndico, a gente o concebe.

 

Atendimento Online Constelação Familiar

 

Transcendência

A Constelação Familiar e toda a sua teoria sistêmica é bastante pacificadora.

Essa é a verdadeira transcendência. Fincada na terra. Pé no chão.

Há como conciliar com respeito, honra e amor a nossa empreendedora e aflita consciência pessoal com os hábitos, costumes e calmaria da experiente e multimilenar consciência coletiva.

 

Homo partejantis

Esse é um dos pontos importantes que essa abordagem nos revela sobre a alma humana e seu funcionamento.

Há espaço para a reconciliação dos hóspedes.

O novo e o velho podem co-existirem desde que o arcaico seja reverenciado e homenageado pelos recém-chegados em cada gesto do dia-a-dia.

E, então, já não são apenas 2 hóspedes que vivem no nosso prédio metafórico da alma, mas sim 3. 

A cura parece estar aí, nesse nosso terceiro hóspede.

Mas, ele precisa ser parido e não só sabido.

De homo sapiens à homo partejantis

Agora é com você!

 

 


Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar com Treinamento pelo Idesv |  Atendimento Online e Presencial com Bonecos

8 comentários em “O terceiro hóspede”

  1. Oi profes Isabela,

    Sou sua aluna do Pé…
    Identifico-me com a frase: ele precisa ser parido e não só sabido.
    Tô parindo, mesmo achando que tinha que ter mais sabido. Mas, indo. Um tanto graças a você também.
    Da sua aluna partejantis,
    Cláudia Pampolini

  2. Profe Isabela,
    Sou sua aluno do Pé… Adorei o texto. Estou no parágrafo do parido e não só sabido. Um tanto disto, graças a você também. Estou me estruturando nas redes. Muitos abraços da partejantis aqui. 😉

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