Hellinger falou de Campo Morfogenético? – Constelação Familiar Sistêmica

Hellinger falou de Campo Morfogenético?

[Pergunta] Posso dizer que o campo sistêmico é a mesma coisa que o campo morfogenético?

[Comentário Possível] Na Constelação Familiar Bert Hellinger chamou o campo só de campo mesmo, até onde eu sei.

 

Campo

Campo é o lugar onde o fenômeno se dá.

Ou seja, everywhere, em tudo quanto é canto.

Mas, num workshop ou num atendimento individual, por exemplo, ele (o campo) fica ainda mais em evidência.

 

Atenção ativada

Ali nossa atenção está ativada e isso o torna mais perceptível à todos os participantes (quem já vivenciou entende melhor o que eu digo).

Através dos movimentos de uns em relação aos outros os laços e os emaranhados que existem ficam visíveis naquele momento.

E quando eu digo ”movimentos de uns em relação aos outros” estou dizendo que os representantes começam a se mover e que estes movimentos narram um história.

Não é um teatro onde cada qual segue um script pré-definido, mas olhando de fora assemelha-se à uma cena de filme ou peça teatral.

 

 

O campo revela

No Campo a informação antes-não-vista fica, enfim, aparente.

Voltando à sua questão sobre a teoria do Rupert Sheldrake que fala de um Campo Morfogenético, muitos consteladores mesclaram essas duas terminologias denotando uma só ideia.

A teoria de Sheldrake é um bom modelo para explicar o fenômeno que acontece nas Constelações Familiares (no qual os representantes conseguem sentir a história ancestral do cliente).

Indicação de livros do Sheldrake:

1) Uma Nova Ciência da Vida
2) A sensação de estar sendo observado

 

Física Quântica

Há também outras teorias como as do entrelaçamento quântico e a teoria dos sistemas vivos e em rede do físico e teórico Fritjof Capra (física quântica).

Livros do Capra:

1) O ponto de mutação
2) O Tao da física
3) Teia da Vida

 

 

Paralelos

Pode-se sim igualar esses nomes como forma didática de entendimento? Pode sim.

Mas, preciso dizer também, que essas dicas que eu trouxe acima são conhecimentos paralelos de coisas que li em outras épocas.

Você não vai encontrar Bert Hellinger fazendo essas digressões nos livros dele.

 

E Bert Hellinger?

Ele fala “en passant” de Sheldrake, por exemplo.

O Bert não se preocupa em explicar esses fenômenos, sabe?

Ele se satisfaz em observar e “ver que é assim e pronto”.

A isso ele chama de uma postura religiosa frente ao abismo.

 

Não é religião

Contudo, ele explica também, que quando ele, Bert, diz postura religiosa não tem nada a ver com o religioso cristão, nem judaico, nem nada assim como entendemos o “religioso” no senso comum.

Hellinger diz ser postura religiosa aquela concordância frente a alguns mistérios da vida e da morte.

E que, diante desses mistérios, ele pessoalmente, contenta-se em ser apenas aquele homem que não pode saber tudo.

Basicamente, Bert Hellinger lida bem com limites e circunstâncias imponderáveis.

 

Ok!

Se lhe for revelado, ok.

Se não lhe for revelado, respeito ao invés de curiosidade.

Essa é a “postura religiosa” para Hellinger.

Uma postura humilde diante da vida e da morte.

Uma postura neutra, sem intencionalidade, perceptiva, cordata, observadora, não julgadora e sem medo quanto ao que se mostrará no segundo seguinte.

 

 

Menos eu, mais realidade

Com essa filosofia de Bert Hellinger somos exortados a olhar as pessoas e o mundo sem interpretar muito.

Toda interpretação é carregada de nossos valores morais e isso pode ser bastante estreito.

Olhar e ver só o que se mostra, sem filtros, é um grande exercício sistêmico.

 

Bert-se

É assim que Bert lida com o real e a vida dos que lhe procuram buscando ajuda e conselho.

É isso que ele aponta quando diz que a Constelação Familiar é fenomenológica.

É assim que ele trabalha.

Observando até onde pode ir.

Sem invadir.

Respeitoso sempre e à maneira dele.

Bert-se um pouco.

Vale muito a pena conhecer tudo isso.

 

Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar | Atendimento Online com Bonecos.

5 comentários em “Hellinger falou de Campo Morfogenético?”

  1. Muito interessante! Esta questão de um respeito ao inexplicável, não ter a arrogância de ter a verdade de todas as coisas. Se eu entendi bem, é esta a “postura religiosa ” que respeita o “mistério da vida”.

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