Lidando com a rejeição – Constelação Familiar Sistêmica

Lidando com a rejeição

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Lidando com a rejeição

É muito difícil para alguém que foi rejeitado pelas pessoas que são seus pais ou por um deles seguir na vida obtendo sucesso, sendo saudável emocionalmente e sem mágoas.

Difícil, mas bastante possível.

Ajuda a entender quando a gente percebe que os pais são pessoas.

Foi por isso que eu disse ‘‘rejeitado pelas pessoas que são seus pais…”.

Ajeitando as coisas

Então, separa aí na sua cabeça o seguinte: os pais prum canto e as pessoas-que-são-seus-pais pro outro canto.

Dou essa dica porque a gente tende a romantizar muito os pais.

Romantizar aqui significa pensar que os pais, pelo simples fato de serem pais, deveriam ser sempre satisfatórios (e nunca falhados).

E aí, quando precisamos enxergar a pessoa deles e não a parte romântica criada na nossa mente, pode haver algum descompasso mesmo.

Melhor dizendo, pode haver decepção – muita decepção.

Pra trás ou avante

Sigamos então para a fase adulta?

Já estando com 30, 40 ou 50 anos, esse sentimento de rejeição ainda pode ser o assunto para quem passou por essa experiência na infância ou algo assim.

Mesmo que a pessoa pense já haver superado tais fatos, os efeitos atuam na subjacência, escondidamente e pode voltar como sintoma muitos e muitos anos depois.

Na sessão, o cliente não consegue, por exemplo, falar de sua origem (os pais) sem se emocionar – ou seja, expressa-se chorando e magoado, raivoso, angustiado; ou ainda culpando os pais por sua própria infelicidade e insucesso.


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Vida Empacada

Fato é que a vida desse sujeito não anda.

Tudo vai ficando mais pesado.

Se ele consegue emprego, em algum momento tudo e todos são chatos.

Se ele consegue formar uma família, a criação de filhos é fatigante e se manter na relação de casal é infinitamente custoso.

Em todos os âmbitos ”levar a vida” se torna uma tarefa quase inacessível e bastante arisca.

Na família está nossa força

Há uma frase de Bert Hellinger que gosto muito e que é mais ou menos assim:

”Se tudo fica bem na família, tudo fica bem na vida”.

O contrário dessa frase é verdade, também.

Não estar bem com a ”nossa fábrica” é um erro para quem busca solução e consciência.

– Ah, Isabela! Você fala isso porque não conheceu meu pai, minha mãe e minha história. Se você tivesse vivido um terço do que experimentei, você não escreveria isso.

Você quer ter Razão ou Ser Feliz?

Será que há alguma vantagem em tentar solucionar nossas frustrações com essa zanga eterna que a gente tende a cultivar por anos a fio?

Será que é contraproducente?

Ainda ficamos presos numa perpétua frustração por não termos tido a oportunidade de desfrutar de um papai e de uma mamãe cor-de-rosa (pessoas comuns, vale lembrar sempre)?

Será que compensa esse praguejar ininterrupto àqueles seres que julgamos insuficientes e que não nos deram, ou não conseguiram nos dar o que queríamos, ou algo assim?

Parece que a idade chegou pra nós, mas a maturidade não.


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A grama do vizinho

Um comportamento assim até os nossos 10, 15 ou 20 anos de idade, ok.

É comum alguém comparar a grama seca dele com a grama verde do vizinho.

Os pais do vizinho são sempre os the best das adjacências, certo?

Contudo, a vida vai passando e a gente precisa refletir em direção ao mais.

Para tanto a gente pode dividir, didaticamente, essa narrativa em duas:

… ficar na alienação x ir pra realidade

Real ou Ideal

Nem tudo é mesmo como queremos, certo?

Essa lição já deveria ter sido apreendida a essa altura do campeonato.

Por vezes uma mudança não está nem um pouco sob nosso controle, por exemplo: uma mudança no outro (que depende do outro).

Território estranho

O outro é um território alienígena e que tem soberania própria.

O que acontece alí não é da nossa alçada.

Deixe o outro ser quem ele é. Essa é uma lição explicitamente linda.

Bert Hellinger fala muito dela.

O efeito Let it be

Deixe o pai ser quem ele é.

Deixe a mãe ser quem ela é.

Deixe o irmão ser quem ele é.

Deixe a cunhada, a sogra, o chefe, o marido, a esposa, let it be!

Se está ruim onde está negocie, se está pra lá de ruim, decida-se.

E toda decisão é uma de-cisão.

Movimente-se

Idealizar o outro é permanecer fincado na suas querências.

E o outro nome pra isso é pirraça.

Insistir nessa postura idealizante coloca-nos em risco.

Risco de ficarmos extremamente mimados, amargos, inseguros e chatos.

E, não conseguindo controlar nossas vidas como queríamos e/ou imaginávamos, a gente se adoece e se enferma – com razão, cheios de razão, abarrotados da nossa razão.

Razonite

E alguém nos pergunta:

-Adoeceu de quê?

-De razão, razonite crônica.

Adultos-adultos

Já os adultos que concordam com as coisas tal-como-são, têm alguma facilidade a mais de se conectarem com o real, já percebeu?

Eles seguem o fluxo e se adaptam às intempéries da vida sem muita pirraça (resistência).

Eles são práticos. Invejavelmente práticos.

Eles preferem seguir.

O que dá pra mudar, muda-se. O que não dá, não muda-se.

Eles são adultos-adultos

Voltando aos pais

Sim, alguns deles podem ir embora.

Sim, alguns deles podem precisar de um sanatório.

Sim, alguns deles bebem.

Sim, alguns deles traem.

Sim, alguns deles nos espancam.

Sim, alguns deles vão embora.

Sim, alguns deles roubam.

Sim, alguns deles usam drogas.

Sim, alguns deles se separam.

Sim, tudo isso dói!

É a realidade.

Des-ilusão é bom

Então, como já vimos, enquanto a pessoa fica presa nas suas querências ela está iludida.

Pensando assim, desiludir-se é bom pra caramba.

Você não precisa ser um caçador de desilusões, mas quando elas acontecerem …

Queira ser um des-iludido.

Acolha as des-ilusões.

Esperança, saiba usar

Será mesmo que alguém que passa horas construindo um cenário ideal em sua mente e desejosa de que esse cenário se revele de uma outra maneira e conforme seus scripts, vai ser uma pessoa saudável, instalada no mundo, realizada?

Esse seria o mal uso da esperança

Toda energia dessa pessoa parece ficar mobilizada para reescrever cenas quiméricas sobre seus pais e sua vida.

Isso se chama alienação, delírio, desvario.

Quem vive negando a realidade está no mundo da lua, afastado de suas potências, desligado, desconectado, alheio de si mesmo.

Pra onde?

É o seguinte.

Entre realidade e desconexão, eu procuro escolher a primeira, sempre.

Se as coisas não foram muito fáceis para você e sua família, vai doer lidar com isso, mas a realidade vale a pena.

A realidade nos dá força, ao contrário do que muitos pensam.

Agora é com você

A gente precisa tomar logo as rédeas do nosso caminho de forma adulta e responsável e não de forma infantil e exigente.

Como? Apropriando-nos o quanto antes de nossa biografia.

É a boa hora

Deixe seus pais serem as pessoas que eles conseguiram ser e segue em paz com sua realidade.

Esse é o desafio.

Pega o que tem e faz sua parcela.

Aí mora o caminho da saúde e do seu sucesso pessoal.

Desejo-nos let it be!


Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar | Atendimento Online com Bonecos e Cursos

4 comentários em “Lidando com a rejeição”

  1. Na realidade é saber conviver com estes sentimentos frágeis e duros de uma melhor maneira possível, seria isto Isabela?

    • Perfeito… É a “cura possível” … pé no chão. Caso contrário vira uma insatisfeitos eterna e patológica.

    • Não é sobre arrancar, Tania…o contrário…. acolher e remanejar a.vida toda. Essa é riqueza, penso…

      Demora mais do que arrancar… leva a vida toda…

      Cest la vie

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