Desconfie sempre de você primeiro | Constelação Familiar – Constelação Familiar Sistêmica

Desconfie sempre de você primeiro | Constelação Familiar

{Pergunta} Isabela, eu como mãe biológica posso constelar o meu filho maior de idade e que por si não procuraria a constelação, mas sei que temos algo pra ser observado.? Obrigada

{Comentário Possível} Essa é uma pergunta bastante usual.

Eu sempre reflito sobre o assunto. Eu também sempre reescrevo as perguntas que me chegam (mas as reescrevo trocando as palavras). Faço isso pra fins de reflexão e de maior compreensão sobre as coisas em geral.

O resultado dá mais ou menos nisso:

“Isabela, eu como mãe biológica posso fazer a cirurgia de transplante de rim para o meu filho maior de idade e que por si não procuraria o médico, mas sei que temos algo para ser observado?”

Eu poderia, ainda, dizê-la em vários contextos.

“Isabela, eu como mãe biológica posso fazer a ginástica e dieta para o meu filho maior de idade e que por si não procuraria uma academia…”

Percebeu que não respondi muita coisa (ou só uma parte da coisa toda)? É daí que eu sempre caio numa outra questão.

Por que essa pergunta da mamãe acima (e de tantas outras que recebo) nunca seria feita num contexto médico para um cirurgião mas é feita no contexto da Constelação Familiar para um constelador?

Sobre isso é mais ou menos assim que percebo.

Nessa questão mora a ideia muito difundida por aí de que podemos usar a Constelação Familiar para fazer pelo outro o que só o outro pode fazer por ele (se assim ele quiser e puder).

Ou ainda, que podemos tirar o outro da experiência que ele está vivenciando (não à toa).

Ou, (mais uma), que podemos ajudar o outro na sua jornada e catalisar sua experiência (tirando-o da “cegueira”); fazendo isso a gente se sente melhor e mais aliviado.

Mas, no fundo, no fundo, muitas das vezes, a gente pode estar mesmo é se desviando do que precisamos fazer em nós mesmos.

Como diz meu professor Décio: desconfie sempre de você primeiro.

Eu diria (nesse contexto): esquece o outro. Mesmo sob o título “sou a mãe biológica”.

Até posso entender o amor da mamãe pelo filho, mas talvez ele precise mesmo viver a experiência de crescimento dele (no sistema em que está contido). E isso também o fará digno e enriquecido. Assim ele crescerá.

Continuando esse texto e liberando o filho da salvação-sistêmica, entramos agora no verdadeiro assunto da pergunta: a perfeição.

Perfeição? Como assim, Isabela? Boiei.

A mães desses filhos adultos também podem ganhar se se permitirem compreender essa experiência de outro prisma.

Elas podem fechar seus olhos e dizerem às suas próprias mães e aos seus próprios pais:

“Hmm, olha aí gente. Não fui a mãe perfeita/ desisto/ me rendo / eu também não consegui/ achei que esse trem era mais fácil de se fazer/ agora eu solto e confio que ele seguirá/ afinal, todos demos conta e todos somos farinha do mesmo saco.”

A experiência mostra que, se a gente quer influenciar positivamente o outro, a gente começa aqui (em nós). Não lá, na outra ponta.

Desistir da perfeição tira um peso grande das nossas costas, reconecta-nos com a vida (com a origem imperfeita, mas sempre potente na qual e pela qual existimos).

E como diria Hellinger: só o imperfeito cresce, o perfeito não.

O tema, geralmente, é quase sempre o si-mesmo (nunca o outro).

Fica a dica.

Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar com treinamento pelo Idesv

■ Aula Ao Vivo toda 4-feira as 21h http://bit.ly/2s9sT1G
■ Reprise das aulas no ALMA http://bit.ly/2KWk8ib

Deixe um comentário