Desistir do que se quer e conseguir o que precisa – Constelação Familiar Sistêmica

Desistir do que se quer e conseguir o que precisa

Desistir?​

– Isabela, me ajuda a entender aquela frase de Bert: É preciso desistir do que queremos para receber o que necessitamos.

– Bert é assim, não é? Contraintuitivo.

Como assim desestimular as pessoas do sec xxi a buscarem o que querem? Como assim sugerir “desista do que você quer”?

Como assim na época do “você quer, você pode”, do “yes, you can” um alemão de 94 anos vir e nos dizer algo assim?

A alma sabe

Lembro-me sempre dum participante que fez a seguinte pergunta pra Hellinger: você fala tanto de alma e que estamos nessa grande alma. O que exatamente é alma para o senhor? E Bert respondeu assim: alma é aquilo que sabe.

Dito isso, entendo assim. O nosso eu “quer” e a nossa alma “sabe” o que a gente necessita. 

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Pela Ordem

O eu é mais novo (veio depois). A grande alma é multimilenar (chegou primeiro). 

O eu é ingênuo, afoito e impetuoso, a alma tem experiência acumulada e tempo (muito tempo).

O eu é importante. É ele quem desbrava, experimenta e erra. Ser indivíduo é mega relevante. Mas só funciona quando esse eu-menor reconhece que nasceu da grande alma. Ordem.

Antes de sermos “eu” e nos despertarmos enquanto “um” (destacados da massa), éramos esse grande coletivo, éramos muitos. Na verdade ainda somos. Isso precisa ser assimilado.

É paradoxal mesmo. Dá nó-cerebral. Somos um e também muitos. Tudo junto e misturado.

“Querer” nessa frase de Bert está ligado à ideia de liberdade. E ele está apontando para essa entrelinha: você não é livre.

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Já o “necessitar” está ancorado no fato de que somos grupo e que há leis regulando os nossos relacionamentos de clã e de coletivo que precisarão ser observadas – ou seja, tchau tchau liberdade.

Provocativo, não é? 

O eu “quer” a liberdade a qualquer preço (até mesmo ficando doente, pobre, desgastado, sem rumo, fud€%d8). Tipo, sou livre sim. Ferrado, mas livre.

Já a alma tem outra lógica. Ela “sabe” que necessitamos das leis sistêmicas (ordem, pertencimento e equilíbrio) para seguirmos com saúde e prosperidade.

Aqui a frase é outra. Não sou tão livre assim, mas vou com saúde, paz, harmonia, bons vínculos, amplidão, leveza, sucesso e prosperidade. 

Faz seus cálculos ai. Faz um balanço e perceba qual o caminho que é mais valoroso para você. 

No final das contas, o que você precisa? 

Deixo a reflexão. 

 

Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar com Treinamento pelo IDESV 

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