Transplante de órgão e Constelação Familiar | Bert Hellinger – Constelação Familiar Sistêmica

Transplante de órgão e Constelação Familiar | Bert Hellinger

 

[Pergunta] Isabela tudo bem? É possível fazer algum vídeo ou uma explanação sobre transplante de órgãos. Gostaria de saber o que a constelação familiar tem a dizer sobre isso.

[Comentário Possível] De cara digo que Bert Hellinger, mediante muitas de suas observações, extraiu daí sua compreensão sobre o assunto: ele não concorda muito com isso.

 

Filosofia e prática

Então, vamos lá.

Vou fazer uma afirmação aqui que, talvez, seja estranha e complicada de entender, mas que após a leitura do texto todo, poderá se tornar mais amigável – assim espero.

Um transplante seria como excluir algo ou alguém que já tenha sofrido uma exclusão outrora dentro daquele sistema familiar

 


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A doença é um alerta-amigo

Considerando que boa parte dos sintomas ou das doenças de uma pessoa, na observação prática da Constelação Familiar, é um alerta do sistema familiar para que algo ou alguém que tenha sido excluído outrora seja re-incluído no aqui-agora – considerando isso, precisamos ver a doença como algo mais amplo, certo?

 

A doença re-contando histórias

Considerando que o órgão adoecido é uma nova oportunidade para a família de realocar eventos e pessoas; de reinserir um antepassado excluído ou de revisitar um evento traumático relevante para a evolução do grupo como um todo – considerando tudo isso, você há de convir comigo que a doença estaria a serviço de algo maior e não só do candidato à transplante, certo?

 

Um caso que atendi

Vamos supôr que o vovô ficou com um pedação de lote que não era dele.

As coisas estavam obscuras e acabou que o vovô colocou a cerca mais pra cá do que pra lá.

O vovô causou danos ao vizinho na hora da divisão de terra.

Então, duas gerações depois, nasce um neto com problemas no rim.

A família do vovô precisará gastar um dinheiro absurdo com essa doença – fora o desgaste emocional e etc.

 

Compensação

Percebam como há aí um movimento compensatório?

Se o grupo do vovô teve uma vantagem em 1800 e bolinha, então, em algum momento da história, esse clã vai se auto-impor uma perda, pagando pela proveito tirado daquele evento antigo. 

Sim, eu sei que parece roteiro de filme de Hollywood, mas é só a gente começar a observar isso por ai que vamos achar muitas histórias que deixariam Woody Allen doidinho para fazer mais umas quinhentas películas.

 

O doença representa alguém

Agora, pensa comigo.

Considerando, enfim, que o órgão é um excluído-do-passado presentificado em doença (no aqui-agora), qual o efeito para todo o grupo familiar quando, de novo, o excluído é re-excluído via um transplante-qualquer?

Vou explicar de outra forma ainda.

 

Solução com respeito

Voltando ao caso do vovô, do lote repartido de forma arbitrária e do neto com o rim doente. 

Se o rim-doente está contando uma história e implorando por essa reflexão do grupo familiar, sacar este rim, sem a devida vênia, e colocar outro no lugar, sem qualquer esmero, pode ser outro dano e não exatamente a solução pretendida.

 

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Transplante-cego

O que a família do vovô teria acabado de fazer?

Não olharam, de novo, para o que precisava ser olhado.

Não refletiram, de novo, sobre o que precisava ser refletido.

Deletaram os alertas.

É bem provável que o sintoma volte de outra forma. Ou afetando o rim novo, ou provocando novas doenças, ou até mesmo gerando insucesso profissional para o transplantado, por exemplo.

O transplante, em resumo, funcionaria como ”tapar o sol com a peneira”, popularmente falando.

 

Protesto!

Antes que alguém me detone e diga:

“… que absurdo. É porque não é com ela e nem com os filhos dela”

Se você protestou eu devo dizer que concordo em parte com sua manifestação.

Realmente, não sei como me comportaria frente a tal realidade.

Mas, eu pensei sobre isso e talvez haja alguns caminhos.

 

Transplante-que-vê

Talvez se recebêssemos um novo órgão com muita reverência e gratidão, mas também fizéssemos as reflexões necessárias quanto ao alerta-amigo do corpo que ficou doente para nos expandir a alma – talvez assim atenderíamos a ambos os lados: o vizinho e o vovô.

Como assim, Isabela?

 

Solução para o mais

Se a gente compreende que o rim-doente é um verdadeiro mensageiro do passado que deseja nos contar um causo ocorrido lá na época do vovô e seu vizinho, talvez o transplante ganhe um novo significado.

Este transplante, certamente, não será mais um mero trocar-de-órgãos e sim uma reconciliação, um reajuste, uma reconexão, um ressarcimento.

Os dois lados da história estariam quites de uma vez por todas através de um pensar mais consciente, de um sentir mais consciente, de um transplante mais profundo (na alma e não só de rim).

 

Um aviso importante

O que eu trouxe aqui é só um argumento e não um diagnóstico estático das muitas situações que as várias famílias experimentam em suas vidas cotidianas.

Como sempre digo ”cada caso é um caso”.

 

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Uma provocação final

Rezar no cantinho da alma para que um rim apareça logo, porque você deseja que alguém querido seja salvo, é rezar para que outro-alguém perca e você ganhe.

Seria a história do lote, da cerca, do vovô e do vizinho, de novo.

Este é só um outro argumento para o mesmo assunto tratado ao longo desse texto.

Percebe, então, que não é tão simples um mero transplante de órgão sistemicamente falando?

Deixo, por isso, mais essa provocação para você e vou ficando por aqui.

A solução, talvez, mora no caminho.


Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar | Atendimento Online com Bonecos

16 comentários em “Transplante de órgão e Constelação Familiar | Bert Hellinger”

  1. Gratidão Isabela, muito bom seu texto!!! Uma vez vi numa reportagem que um rapaz transplantado (não me lembro qual órgão), disse que depois do transplante começou a tomar chopp, era algo que não gostava e ao perguntar para a família doadora do órgão, se o filho deles gostava de tomar chopp, eles responderam que sim… achei muito interessante essa história.

    • É…. se a gente fosse pesquisar, penso que teríamos um livro de histórias assim. Aliás… já deve até existir algo nesse sentido. Abraço

  2. Nossa, curti demais .. eu já não era a favor de transplante de órgãos e esta tua explicação só me abriu mais a visão. gratidão 🙏

  3. Minha filha fez um transplante de córnea .Tinha 13 anos
    Aguardamos 3 anos a córnea
    Rezei pelo doador desde que o transplante aconteceu
    Mas penso que necessito olhar para a família e o excluído ! obrigada!!

  4. Isabela, meu marido doou um rim para uma tia e a mesma faleceu seis meses depois, por problemas cardíacos. Que falta esse órgão faz na vida dele diante do sistema?

  5. Isabela muito esclarecedor seu texto e também provocativo, nos leva à uma reflexão mais profunda! Obrigada

  6. Ótimo texto, Isabela!
    Principalmente a reflexão que a provocação final nos traz.
    A dúvida que me ficou foi, no caso um transplante de rim pode ser feito por indivíduo vivo. Neste caso, há consequências para o doador?

  7. Olá Isabela, tudo bem?

    Realmente esse tema é bem polêmico.

    Participei recentemente do curso e workshop em Novas Constelações em São Paulo com a Brigitte de Ribes, uma das maiores especialistas na transmissão e prática das Novas Constelcaoes. Lá, Brigitte nos trouxe a informação de que o transplantado deixa de pertencer ao seu sistema e passa a pertencer ao sistema da nova família do doador do órgão. Uma vez que “exclui a doença”, que é um agente de transformação. Recentemente vi um caso de um rapaz que recebeu um órgão de um suicida, e que também se suicidou, um anos após o transplante, chegando até a se casar com a viúva do doador.
    Os casos são mais comuns do que se imagina, levando até cientistas a estudar esse fenômeno de herança de traços da personalidade do doador, visto por essa forma pela ciência.
    Fiquei surpresa com esse novo conhecimento, mas fez todo sentido diante do entendimento das Leis Sistêmicas.

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