Tempestade em copo d’água – Constelação Familiar Sistêmica

Tempestade em copo d’água

A felicidade mora no tempo

Sentir raiva, peso na alma, desconforto, isso tudo pode ser ótimo, desde que este estado o leve rumo ao “mais” – desde que isso seja pra você o limão de fazer a limonada.

Tenho dito aos meus clientes: felicidade está no tempo; no quanto de tempo você gasta na sua dor chupando limão. Dez minutos, dez meses ou dez anos?

A pessoa que diz: “sabe, estou bem magoada com isso e aquilo” e, contudo, não faz nada depois disso, vive mal, muito mal.

Use o desconforto a seu favor

Esse tipo de postura demorada na mágoa encaminhará você para o “menos”.

Bem como, aquele que sente raiva por algum motivo e consegue transformar essa emoção em impulso, é alguém encaminhado para o ”mais”.


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O Mais e o Menos

Esse conceito de ”ir para o mais” e ”ir para o menos” aprendi com meus professores Décio&Wilma (IDESV)

Bert Hellinger também usa algumas expressões bem parecidas.

Ele sempre pergunta aos seus clientes ”esse tipo de demanda e objeção o leva para um lugar de mais força ou menos força”.

Bert nos ensina a sentir o que tem ”mais força” e o que tem ”menos força”.


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O lamento no gerúnnnndio

Vou repetir: a maioria de nós entende que estamos tomando uma atitude pelo simples fato de “sofrermos”, ou de ”irmos à terapia por 10 anos ou de ”ficarmos reclamando” (no gerúnnndio), meses a fio.

Há, na verdade, uma sensação de movimento. Só isso. Sensação. Aparência.

Tipo pastel frito inchado de ar quente. Parece recheado e cheio, mas é quase vazio. Quase.

Movimento substitutivo

Chamamos isso de movimento substitutivo.

É uma pseudo-ação (é fake, falseada, é rodar em círculos).

Protela-se o problema, adia-se a celeuma, mas não se resolve nada daquela questão.

Quase consigo ouvir tocando Cássia Eller ao fundo:

O que você está fazendo-u-u-uh, milhões de vasos sem nenhuma flor

Aprender a sofrer

Se tem uma coisa que tenho aprendido com as Constelações Familiares e sua filosofia prática é que o sofrimento precisa ser acolhido e olhado.

Quem diria, ein?

A gente precisa aprender a sofrer.

Quando a gente compreende a dor como algo poderoso e aurífero, a gente extrai lições muito impactantes que nos servem de apoio em momentos complicados.

Sofrer-com-horizonte

Não precisa buscar sofrimento ativamente. Não se trata disso, claro.

Esses eventos acontecem, naturalmente.

Errar dói, ficar exposto incomoda, frustração é algo péssimo, traição, então, nem se fala.

Mas, saiba de uma coisa: provavelmente algumas dessas opções vão fazer parte de sua biografia um dia.

Então, quando esse instante chegar, sofra olhando na direção do futuro.

Ou seja, aprenda algo com essa experiência (ao invés de sofrer a experiência).

Outra coisa

Isso de “aprender a sofrer” não é uma revelação ou uma novidade que a Constelação Familiar está trazendo ao mundo.

Muitas filosofias já compreendiam isso, tanto no oriente quanto no ocidente.

Estoicismo e Confucionismo

Lucio Sêneca é um filósofo grego do sec. iv a.C.

É expoente desses conceitos que escrevo aqui.

Aliás os estoicos estão hiper na moda. Suas ideias estão recirculando com força total.

O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais que o necessário. Sêneca

Confúcio também está em voga.

Ele viveu mais ou menos na mesma época que Sêneca, contudo ele é da China.

Bert Hellinger fala brevemente do pensamento do oriente em muitos de seus livros.

E em toda sua filosofia é possível perceber essas influências bem claramente.

Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar onde quer. Confúcio

A caminho, há caminho

É isso. Não há como nos imunizarmos dos infortúnios e dos sofrimentos inerentes à vida, pois entramos na nave e as regras do jogo na embarcação são essas.

Alegria e tristeza andam juntas, e pronto.

Talvez a gente possa aprender essa parte da lição sem tanta tempestade em copo d’água e sem muito drama.

Inteligência tem preço

Ganhamos inteligência.

Sabe qual foi o efeito colateral desse ganho?

Aprendemos a julgar (ferramenta, aliás, muito útil para fecharmos bons contratos comerciais, para escolhermos uma ou outra amizade, para não nos metermos em apuros, mas…)

Sabe o que mais advém disso?

Uma montanha de emoções que nos atordoam muito e ainda não sabemos lidar com todas elas.

Nossa alma ganhou inteligência em algum ponto da evolução, mas ainda não somos mestres quanto ao seu manejo.

A gente ficou mais complexo.

Sabe quando tomamos um medicamento para o coração, mas ficamos zonzos na cabeça e enjoados no estômago?

Pois é!

Bênção e maldição

Penso que esse foi o preço da inteligência. Tem sido o preço. Bênção e maldição, ao menos por enquanto.

Mas estamos a caminho da simplicidade equilibrada.

Aprendendo do jeito que nos é permitido, atentos ao nosso contexto, por vezes bem assustados e cheios de dúvidas – mas, seguimos.

A caminho, há caminho!


Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar com Treinamento pelo Idesv


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2 comentários em “Tempestade em copo d’água”

  1. Isabela!!!
    Quanta inspiração, hein?
    Texto maravilhoso e serve como manual de boas práticas do sofrimento!
    Parabéns e muito obrigada!!!
    Quero ser sua aluna!
    Só to me encontrando pra ver por onde vou começar!
    Grande e afetuoso abraço!
    Patrícia Pardini

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