Leis dos Relacionamentos Humanos – Constelação Familiar Sistêmica

Leis dos Relacionamentos Humanos

Leis dos Relacionamentos

Há 3 Leis Naturais da Vida trazidas por Bert Hellinger e que são a base das Constelações Familiares: Ordem, Pertencimento e Equilíbrio.

Bert Hellinger, o organizador das Constelações Sistêmicas, percebeu que essas três leis regem os relacionamentos humanos.

Para ele, somos todos regidos por estas ordens, mesmo se não tivermos conhecimento das suas ações sobre nós.

 

Leis Naturais

Penso que não há melhor maneira de explicar a natureza das 3 Leis de que Bert fala, a não ser citando a lei da gravidade (uma força da natureza) que precisamos considerar o tempo todo.

Nem pensamos na lei da gravidade, nem refletimos mais sobre ela. Simplesmente ela é o que é e pronto. Assim a gente fica de pé ao invés de levar um tombo a cada segundo.

 

Respeitar as leis ”dá bom”

Respeitar tais leis naturais parece que pode nos oferecer um caminho para uma vida mais leve e mais em conformidade com o que somos e podemos ser.

Desrespeitá-las, conscientemente ou não, estimulam consequências que serão percebidas como dificuldade ou peso pelos membro de um sistema.

Trocando em miúdos: respeitou ”dá bom”, desrespeitou, ”dá ruim”.

 


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1) Lei da Ordem

Dentro de um sistema, a hierarquia é comandada pela precedência no tempo. Isso significa que aqueles que vieram antes precisam ser respeitados.

O avô tem precedência sobre um neto, um pai tem precedência sobre o filho, o irmão mais velho tem precedência sobre o irmão mais novo.

É algo arcaico que atua em nós sapiens ainda hoje.

 

Algo Arcaico?

Imagine esse ”algo arcaico” como sendo um software antigo que não podemos desinstalar do computador ou do celular, pois mesmo sendo antigo ainda é estrutural e faz todo o resto do sistema funcionar melhor.

 

Consciência Coletiva

O algo arcaico é também chamado nas Constelações Familiares de ”consciência coletiva”.

Ela (a consciência coletiva) sempre favorecerá quem veio primeiro.

Na prática isso significa que os que vem depois não podem e nem devem interferir nos assuntos dos que vieram antes.

 

O que seria interferir?

Vou dar dois exemplos breves sem pretensão nenhuma de esgotar o assunto.

Só pra fins didáticos e para dar um impulso nessa nossa conversa digo o seguinte:

Você pode interferir na vida dos mais antigos querendo salvá-los ou pretendendo julgá-los.

Basicamente seriam essas as duas maiores interferências que vejo na prática clínica.

 

Quer salvá-los?

Nos tipos salvadores mora certamente um grandessíssimo amor que aqui nas Constelações Familiares chamamos de amor-cego.

Como o próprio termo assinala, é amor, mas é cego. Ou seja, é bom, mas é ruim.

Como compreender tal paradoxo?

 

 


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É bom, mas é ruim

É muito comum receber clientes que morrem de dó da mãe ou do pai por alguma questão que gerou ou que ainda gera dor na família.

Talvez a mãe foi agredida pelo pai algumas vezes e então a criança (e como criança entenda todos nós em relação aos nossos pais) fica indignada e se intromete aí com o intuito de harmonizar e apaziguar o cenário posto.

Ela pode se intrometer de duas formas: verbal ou silenciosamente no íntimo do seu coração.

 

Super-heróis, só que não

Com o tempo essa criança polariza, veste sua fantasia de superman ou de mulher maravilha e escolhe um dos lados (geralmente, claro, ela fica ao lado daquele que julga ser o mais frágil).

Nesse momento essa criança infringe a Lei da Ordem (hierarquia do sistema).

Na sua alma passa-se o seguinte: eu sou grande, eu os salvo, eles são pequenos, eu sou forte, eles são fracos.

Os danos são muitos. Essa outrora criança e hoje cliente da Constelação Familiar trata o mundo assim: eu os salvo, eu sou forte, eu aguento tudo, todos precisam de mim, os outros são fracos, eu suporto e eles não.

Pessoas com esse perfil querem salvar o mundo, os pets, os seres humanos, as matas, as baleias, os colegas de serviço, os frágeis.

Só tem um problema: geralmente, quando chegam na clínica, não estão conseguindo sequer se sustentarem e se manterem vivos.

A gente vê que há amor alí, mas é amor-cego: é algo bom, só que não.

 

2) Lei do Pertencimento

Todo membro de uma família tem o mesmo direito de pertencer. Essa é outra Lei.

O sistema (aquele programinha arcaico, mas necessário de que falamos) preocupa-se em proteger todos da mesma forma.

Só tem um ”probleminha”. Esse programinha não tem botão de liga-desliga.

Assim como seu rim, seu coração e seu intestino, a consciência arcaica funciona intermitentemente.

 

Quando alguém é excluído…

Se por acaso esse direito de pertencer for negado a algum membro (tipo um tio drogado que é mal falado e não tão bem quisto); o sistema reconduz esse tio ao grupo usando um outro membro familiar – geralmente as crianças fazem esse ”serviço”.

A criança começa a repetir o tio (inconscientemente).

Através dessa lembrança, ainda que deslocada, o sistema garante o pertencimento de todos.

 

 

Assista os vídeos no Youtube

 


 3) O Equilíbrio

É a lei que atua porta-a-fora de nossas casas. Dentro de casa não há equilíbrio e sim ordem (hierarquia). Do lado de fora de casa, nos laços sociais de todos os tipos, aí está fortemente presente o equilíbrio.

Os sistemas vivos de forma geral buscam o equilíbrio entre as trocas que ocorrem entre si. O mesmo acontece nas relações entre as pessoas – ao menos essas são as evidências.

 

 

 Como Bicicleta

A tensão entre uma pedalada e outra é o que mantém um ciclista em cima da bike, sem cair.

Também nas relações humanas existe uma busca de reciprocidade e compensação na qual o dar e o tomar deve ser praticado em quantidade adequada de uma lado e de outro, afim de manterem o sistema em uma tensão-saudável (sempre buscando o equilíbrio).

 

 Pedalar de um lado só?

Numa relação de desequilíbrio, uma das partes (geralmente a que recebe) pode se sentir pressionada a se afastar por não poder retribuir ao doador que fez muito e que pedalou forte só em um dos lados.

 

 

Deixando o outro pedalar

A pessoa que dá muito, ao perceber o peso que a sua  benevolência causa no recebedor, para de dar, dando uma chance ao outro de restabelecer o equilíbrio da relação.

 

Com os pais não tem pedal, só garupa

Esse sistema encontra uma exceção quando se trata da relação entre pais e filhos.

Nesse relacionamento, os pais somente dão e os filhos tomam, sempre. Os pais pedalam e os filhos vão na garupa.

 

 

Recompensar os pais é possível?

Os filhos recebem vida (o que já é muito) e alguns ainda recebem bônus (escola, almoço da vó, roupinhas, clube, passeios na praça).

Haverá um desejo natural de recompensar os pais, mas isso não é possível.

Não há como devolver a vida. A vida corre pra frente e não é retornável.

 

Como aliviar a pressão de receber tanto?

A compensação poderá acontecer pra-frente. Quando os filhos se tornarem pais eles estarão honrando o que receberam outrora de seus ancestrais.

Assim então repassarão algo aos seus próprios filhos. Isso gera um alívio na alma do tipo ”recebi e, agora, fiz minha parte”.

 

 

E quem não tem filhos?

Quem não pôde ter filhos ou não conseguiu ter filhos, poderá, através do seu trabalho gerar valor e impactar as gerações futuras. Isso também atenua e abranda a alma.

Dessa forma, a vida caminha adiante com equilíbrio para todos.


Isabela Couto | Psicanalista | Constelação Familiar co Treinamento pelo IDESV | Wapp (31) 9 8269-8379 | Atendimento Online e Presencial

9 comentários em “Leis dos Relacionamentos Humanos”

  1. Eita mineirinha ,é isso , didática fácil e porreta sem muita lambeção , é isso que têm pra janta né ?
    Não atendo ainda ,mas como o curso demorou um ano e meio ,e para minha vida limpou e limpou costumo dizer que a Constelaçao é um pé no peito , você toma mas não tomba , dói mas não fica ardendo e quando conseguimos colocar no coração ficamos leve como uma pluma .
    Aproveitando muito como sempre seus ensinamentos . Obrigada super beijo 😘

  2. Incrível a forma de comunicar da Isabela, tornando ligeiro e fluído algo que sendo simples, é complexo para integrar. Grata

  3. Melhor jeito de explicar sobre uma ferramenta tão complexa não há, muito obrigada Isabela pela sua generosidade e clareza. Muita luz no seu caminho!

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